1. Plágio Direto
Cópia literal do texto original.

De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas, todo texto transcrito:
- que tiver até três linhas, deve ser apresentado entre aspas com a indicação do sobrenome do autor, ano da publicação e número da página (citação direta curta). Na lista de referências deve constar a identificação completa do documento.
- que tiver mais de três linhas, deve ser transcrito de forma destacada em um bloco escrito com letra no tamanho 10, espaçamento entrelinhas simples e recuo de 4 cm da margem esquerda (citação direta longa).

 

 

 

 

Exemplo:

FONTE ORIGINAL

PLÁGIO

CITAÇÃO DIRETA CORRETA

 

O que se conclui a partir dessa pesquisa é que a opinião pública brasileira reconhece e aceita, em grande medida, que se recorra ao jeitinho como padrão moral. Além disso, há uma divisão profunda (50% versus 50%) entre os que o consideram certo e os que o condenam. Por isso, se os níveis de corrupção no Brasil provavelmente estão relacionados à aceitação social do jeitinho – que é grande e bastante enraizada entre nós –, os resultados da pesquisa indicam que temos um longo caminho pela frente se o que desejamos é o efetivo combate à corrupção.

Referência:
ALMEIDA, Alberto Carlos. A cabeça do brasileiro. Rio de Janeiro: Record, 2007. p. 70-71.

 

É bem provável que no Brasil a corrupção esteja associada a aceitação do jeitinho como prática social aceitável. Isto indica que temos um longo caminho pela frente se o que desejamos é o efetivo combate à corrupção. (ALMEIDA, 2007)

 

Comentário:
O texto em negrito é reprodução literal da fonte consultada, mas o redator não indicou isto claramente. Devido a ausência de aspas, o texto elaborado ficou parecendo uma paráfrase, mas na realidade é uma colagem.

 

É bem provável que no Brasil a corrupção esteja associada à aceitação do jeitinho como prática social. Somado a isto o fato de que “há uma divisão profunda (50% versus 50%) entre os que o consideram certo e os que o condenam [...] podemos concluir que temos um longo caminho pela frente se o que desejamos é o efetivo combate à corrupção.” (ALMEIDA, 2007, p. 70-71).

 
Comentário:
Neste caso, o redator reescreveu parte da fonte consultada com as próprias palavras e completou com um trecho copiado da fonte original. Entretanto, utilizou corretamente as aspas para indicar o texto reproduzido e na citação registrou o número da página da qual consta.

 

2. Plágio Indireto
Acontece quando o redator elabora uma paráfrase, isto é apresenta informações de um documento consultado com as próprias palavras, mas não faz a indicação (citação) nem a identificação (referência) da obra original. Cabe observar que neste caso, ainda que a obra consultada esteja listada no final do trabalho, a ausência da citação (indicação) do autor no local exato onde a idéia original foi reescrita configura plágio

Exemplo:

FONTE ORIGINAL PLÁGIO CITAÇÃO INDIRETA CORRETA

 

É esse o erro de Descartes: a separação abissal entre o corpo e a mente, entre a substância corporal, infinitamente divisível, com volume, com dimensões e com um funcionamento mecânico, de um lado, e a substância mental, indivisível, sem volume, sem dimensões e intangível, de outro; a sugestão de que o raciocínio, o juízo moral e o sofrimento adveniente da dor física ou agitação emocional poderiam existir independemente do corpo.

Referência:
DAMÁSIO, Antonio R. O erro de Descartes: emoção, razão e cérebro humano. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 280.

 

A separação cartesiana entre corpo e mente pode ser considerada é um equívoco porque supõe que o sofrimento e as dores do corpo acontecem independemente dos juízos morais e dos elementos emocionais.

 

 

 

Para Damásio (2001) a separação cartesiana entre corpo e mente pode ser considerada é um equívoco porque supõe que o sofrimento e as dores do corpo acontecem independemente dos juízos morais e dos elementos emocionais.

 

 

Referência:
DAMÁSIO, Antonio R. O erro de Descartes: emoção, razão e cérebro humano. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 280.

 

3. Plágio Consentido
São as situações envolvendo conluio, isto é, combinação entre duas ou mais pessoas com o objetivo de obter vantagem em alguma situação. Caso trabalhos entregues com o nome de determinado aluno, mas que foram realizados por outras pessoas; trabalhos que foram realizados por outros e já apresentados em instituição X mas são cedidos para serem entregues como se fossem originais na instituição Y. Também é o caso de trabalhos que são comprados de escritórios especializados neste tipo de (des) serviço acadêmico.

4. Plágio de Fontes
Também acontece plágio quando as citações são imprecisas. Isto pode acontecer deliberadamente quando o redator utiliza as fontes do autor consultado como se tivessem sido consultadas em primeira mão. Se o redator não teve acesso a fonte citada deve deixar claro para o leitor que o texto apresentado foi obtido por meio de fonte secundária. Neste caso deve usar a expressão latina apud (citado por) ou expressão semelhante no texto elaborado.
 
Exemplo:

TEXTO ORIGINAL TEXTO 2 TEXTO 3

 

[...] a virtude também está em nosso poder, do mesmo modo que o vício, pois quando depende de nós o agir, também depende de nós o não agir, e vice-versa; de modo que quando temos o poder de agir quando isso é nobre, também temos o de não agir quando é vil; e se está em nosso poder o não agir quando isso é nobre, também está o agir quando isso é vil. Logo, depende de nós praticar atos nobres ou vis, e se é isso que se entende por ser bom ou mau, então depende de nós sermos virtuosos ou viciosos.

Referência:
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p. 287. (Os Pensadores, v. 4).

 

…"a virtude está em nosso poder, do mesmo modo que o vício, pois quando depende de nós o agir, também depende o não agir, e vice-versa. de modo que quando temos o poder de agir quando isso é nobre, também temos o de não agir quando é vil; e se está em nosso poder o não agir quando isso é nobre, também está o agir quando isso é vil. logo, depende de nós praticar atos nobres ou vis, e se é isso que se entende por ser bom ou mau, então depende de nós sermos virtuosos ou viciosos"[34] .

Referência:
[34] E.N. III, 5 – 1113b 10-18

 

“(...) a virtude está em nosso poder, do mesmo modo que o vício, pois quando depende de nós o agir, também depende o não agir, e vice-versa. de modo que quando temos o poder de agir quando isso é nobre, também temos o de não agir quando é vil; e se está em nosso poder o não agir quando isso é nobre, também está o agir quando isso é vil. logo, depende de nós praticar atos nobres ou vis, e se é isso que se entende por ser bom ou mau, então depende de nós sermos virtuosos ou viciosos". (ARISTÓTELES, III)

Referência:
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Pietro Nassetti (trad.). Martin Claret, SP, 2007.


Comentário:
os trechos reproduzido nos textos dois e três são idênticos, até nos erros cometidos, caso do ponto final antes da expressão de modo e a letra minúscula após o termo vil. A diferença está no modo de indicação do autor e na referência o que dá a entender que em ambos os casos a obra foi consultada originalmente. Entretanto, é bem provável que o texto 3 tenha plagiado a referência do texto dois, pois o texto apresentado corresponde a referência original. E o texto de Aristóteles na referência dada no texto três é traduzido de forma diferente. Vejamos: “a virtude também está ao nosso alcance, da mesma forma que o vício. Com efeito, quando depende de nós o agir, igualmente depende o não agir, e vice-versa, ou seja, assim como está em nossas mãos agir quando isso é nobre, assim também temos o poder de não agir quando isso é vil; e temos o poder de não agir quando isso é nobre, do mesmo modo que temos o poder de agir quando isso é vil. Por conseguinte, depende de nós praticar atos nobres ou vis, e se é isso que significa ser bom ou mau, então depende de nós sermos virtuosos ou viciosos.”

É possível utilizar citações feitas nas fontes consultadas pelo redator, mas isto deve ser identificado claramente para o leitor.

5. Autoplágio
Caso de trabalhos acadêmicos do mesmo autor que já foram apresentados para avaliação em uma determinada disciplina, curso, revista, etc. e são reapresentados para cumprir exigências acadêmicas ou obter nota como se fossem originais.

TEXTO ORIGINAL (AUTOR) TEXTO AUTOPLAGIADO (MESMO AUTOR)

 
Baseado em duas décadas de pesquisa com pacientes com lesões neurológicas, Damásio (2001) defende a opinião de que, juntamente com a razão, as emoções e sentimentos exercem um papel importante na elaboração dos raciocínios e tomada de decisões. Em sua obra, esse autor resgata também a importância do corpo, rompendo com a visão dualista cartesiana que separou pensamento (res cogitans) e sentimentos (res extensa).

 
Baseado em duas décadas de pesquisa com pacientes com lesões neurológicas, Damásio (2001) defende a opinião de que, juntamente com a razão, as emoções e sentimentos exercem um papel importante na elaboração dos raciocínios e tomada de decisões. Em sua obra, esse autor resgata também a importância do corpo, rompendo com a visão dualista cartesiana que separou pensamento (res cogitans) e sentimentos (res extensa).